ABALO II 2018

ABALO
Parte II

18 de Outubro, Galeria MUTE, Lisboa.

Entramos.
Pendurada por um gancho curvo e metálico, jaz La carcasse du Bouef, criada a partir de uma memória autobiográfica e cujo título é inspirado numa obra de Rembrandt de 1655 pela sua aparência e significantes.
Esta “carcaça” que se propõe, é um colchão assassinado e jaz na penumbra, aberto violentamente de alto a baixo com uma lâmina aguçada. Quem foi o assassino? Quem sujou o rosto com as entranhas antigas deste colchão? Talvez....Alice, criança louca, frenética e sem limites …ou…talvez Odette durante o sono… Quem foi?
Pendurado por um gancho, este corpo é refeito.
Processo: depois do seu esvaziamento alguém o encheu de volta (Helena?), refez os órgãos, o esqueleto numa ordem aleatória. A ordem não interessa, talvez esteja na hora do coração decompor a comida, o pulmão urinar e a vagina comer…
Por fim, é coberto por finas peles de tinta vermelha, realizadas dentro da piscina uterina sob a observação da feiticeira Louise.
A única cor que se destaca é o azul vibrante na parte detrás do corpo como uma certa luz interior em imanência. Este corpo pendurado, assassinado e exposto, com as entranhas quase de fora, revela-nos – no seu estado mortificado e tétrico – um ânus erotizado e aberto, pronto a parir pelo seu canal azul, todos os órgãos ou qualquer coisa fetal que dali advenha.
Há um qualquer mistério nas luzes e nas cores que faz sentir o cheiro da humidade e do sangue. É um ambiente lúgubre onde ouvimos os gritos do corpo silenciado. Celibatário (se não procriar).
Ofuscados pelo anus dilacerado olhamos para trás.... à nossa frente segue-nos um túnel, azul e igualmente iluminado. Nascemos de novo.
Seguimos por esse túnel...
para dentro ou para fora?

(EXHIBITION DIVIDED IN THREE PARTS, THREE SPACES AND THEY ARE AN CONTINUOUS OF OTHER)

ABALO I - FOCO GALLERY, Lisbon -
ABALO II - MUTE GALLERY, Lisbon - 18th October, 2018
ABALO III -

pt - ABALO
eng - TREMBLE